Jorge Furtado

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Um brinde ao Capitão Bendix!

No início do século XIX o território hoje ocupado pela Alemanha, como toda Europa devastada pelas batalhas napoleônicas, era um emaranhado de países e religiões em conflito constante. Os camponeses passavam fome, a industrialização desempregava no campo e as cidades não absorviam as massas que chegavam de todos os lados. Uma saída possível para tentar escapar da miséria era emigrar para o Brasil.
 
Em 1822 o Brasil se tornara independente, tinha um vasto território inexplorado, precisava de soldados e mão de obra qualificada e, melhor, a Imperatriz Leopoldina era austríaca, colonos germânicos eram bem vindos. A travessia, em veleiros com 300 pessoas a bordo, era uma aventura de alto risco, só enfrentada por quem estava fugindo da morte certa. Se tudo corresse muito bem, sem tempestades, piratas ou epidemias, a viagem durava dois meses, em condições muito precárias, com comida e água racionadas. 
 
No dia 7 de julho de 1826, o agricultor prussiano Frederico Jacobus, 50 anos, sua esposa Elizabeth Becker, 44 anos, seus filhos Inez (19), Valentim (16), Catarina (13), Frederico (11), Elizabeth (4) e Margarida (1 ano e meio), embarcaram no veleiro dinamarquês Brodtae, comandado pelo capitão Bendix Bendixen, no porto de Bremen, com destino ao Brasil. Eles chegaram a Porto Alegre, no Brasil, em 6 de janeiro de 1827. O Broadtrae trazia em sua tripulação as famílias Arnhold, Bauker, Becker, Bolle, Damian, Döbel, Ebert, Finger, Hein, Holzbach, Jacobus, Jacobsen, Johann, Jung, Kinzinger, Luft, Masson, Nabinger, Noll, Ruprecht e Schirmer.
 
No Brasil, Valentim Jacobus estabeleceu-se em Sapiranga (RS), e casou com Karoline Lisette Eltz, nascida em Sulzbach em 1817, filha dos também imigrantes Johan Karl Eltz (Sulzbach, 1783-1873) e Ana Kunigunde Petry (1782-1864). No dia 4 de abril de 1843 nasceu o filho de Valentim e Karoline, Felippe Jacobus, o primeiro brasileiro da família.  Felippe casou com Anna Maria Rodenbusch (nascida em Cludenbach, na Prússia, em 1843) e foram morar em Rio Pardo (RS), onde nasceu Valentim Luiz Jacobus (*25.8.1873), meu bisavô.
 
Valentim casou com Leopoldina Fritz (nascida em Pelotas, RS, em 19 de maio de 1875, filha dos imigrantes João Batista Fritz e Josefina Krammer). Leopoldina, minha bisavó, morreu quando eu tinha seis anos (+1.8.1965), nós a chamávamos, não sei porque, de Vó Nhenheia. Era doceira de mão cheia e transmitiu seus conhecimentos a minha avó, Edith (*2.2.1899), que casou com o baiano Durval Tourinho Furtado (*12.12.1884, filho de Antônio Gonçalves Furtado e Ritta Tourinho), que gostava muito de doces. 
 
Durval e Edith tiveram três filhos, meu pai Jorge e meus tios Claudio e Maria. Os filhos de Durval e Edith tiveram 14 filhos, que tiveram não sei quantos filhos, que tiveram não sei quantos filhos, que já tiveram vários filhos. E nenhum deles estaria aqui se o capitão dinamarquês Bendix não tivesse trazido Frederico e Elizabeth e sua família em segurança, numa perigosa travessia pelo Atlântico, há 190 anos. Um brinde ao capitão Bendix Bendixen!
 
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Fontes:
 
Listas de passageiros alemães no veleiro Brodtae:
http://www.rootsweb.ancestry.com/~brawgw/alemanha/nav_brodtae.htm
 
http://www.mluther.org.br/imigracao/nossas_origens.htm
 
http://www.galiziengermandescendants.org/Data/Daum_Surnames/Gillershof1783-1870.htm
 
Egídio Weissheimer: http://heuser.pro.br/histories/razoes.htm
 
http://cepesle-news.blogspot.com.br/2012/11/historia-da-imigracao-alema.html
 
http://www.infoescola.com/historia/imigracao-alema-no-brasil/
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Imigra%C3%A7%C3%A3o_alem%C3%A3_no_Brasil