A HORA DA ESTRELA

(Beta Digital, 40 min, cor, 2003)
(janela 1.33, som digital estéreo)

Episódio da série "Cena Aberta" da TV Globo.

Macabéa, alagoana de 19 anos, tímida, solitária e trabalhando como datilógrafa no Rio de Janeiro, perde o emprego, o namorado e, ao sair da cartomante, é atropelada e morre. Este é o final da novela de Clarice Lispector, mas é apenas o começo da história, contada por muitas outras Macabéas.

Foto de Roberto Henkin: Wagner Moura e Ana Paula Bouzas
Foto de Roberto Henkin: Wagner Moura e Ana Paula Bouzas

ROTEIRO

Direção Geral: Jorge Furtado

Direção: Jorge Furtado, Guel Arraes e Regina Casé
Produção Executiva: Nora Goulart e Luciana Tomasi
Roteiro: Jorge Furtado e Guel Arraes
Direção de Fotografia: Roberto Henkin
Direção de Arte: Fiapo Barth
Diretora Assistente: Ana Luiza Azevedo
Montagem: Giba Assis Brasil e Alfredo Barros

Uma Produção TV Globo

Realização Casa de Cinema PoA

Elenco Principal:
Regina Casé (Apresentadora, Glória, Cartomante)
Ana Paula Bouzas (Macabéa)
Wagner Moura (Olímpico)

CRÉDITOS COMPLETOS

Crítica

"O passo adiante que Cena Aberta propõe na teledramaturgia brasileira carrega consigo um estímulo à literatura. Quanta gente não terá ido buscar A Hora da Estrela - até o livro foi personagem - em bibliotecas e livrarias após a exibição? Num país de poucas letras como o Brasil, lidar com o tema no horário nobre da TV é tarefa corajosa. Cena Aberta assume o risco de parecer um programa literário de absorção restrita a iniciados. Não é. É entretenimento dos bons, que oferece mais do que o trivial."
(Marcelo Perrone, ZERO HORA, Porto Alegre, 23/11/2003)

"A HORA DA ESTRELA, primeiro episódio da série, rendeu belos momentos para o telespectador ao mesmo tempo em que deixou evidente as grandes dificuldades deste tipo de programa. O livro de Clarice Lispector é tão maravilhoso que qualquer coisa adicionada a ele parece desnecessário. (...) Os pontos altos foram exatamente a encenação da história com a excelente Ana Paula Bouzas (que conseguiu o que parecia impossível: fazer a gente esquecer Marcélia Cartaxo) e Wagner Moura. Toda a parte documental, apesar de interessante, não faria a menor falta. É como se dois ótimos programas fossem mostrados concomitantemente, e, por mais contraditório que possa parecer, uma atrapalhava o outro."
(Zeca Kiechaloski, ABC DOMINGO, Novo Hamburgo, 23/11/2003)

"Esta é, de fato, uma novidade nesse gênero de adaptação - a presença física e útil do livro. (...) Os depoimentos das meninas distanciaram a adaptação do jogo meramente literário, levando-o de volta às cercanias da TV, ao contrário do que fizeram os trechos de entrevista, buscados nos arquivos, de Clarice sobre a obra. A literatura ficou no meio disso tudo, e ajudou a construir um programa de TV de muito boa qualidade."
(Haroldo Ceravolo Sereza, O ESTADO DE SÃO PAULO, 20/11/2003)

"Foi bem a estréia do programa CENA ABERTA, da Globo. O episódio de estréia, baseado no conto A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, foi feliz ao aliar ficção à realidade."
(CZ, Jornal O POPULAR, Goiânia, 20/11/2003)

"CENA ABERTA é mais um bem-vindo sopro de novidade na televisão. (...) Conseguiu soar interessante até na hora de contar em poucas cenas a história escrita por Clarice Lispector, entremeando rápidos e impressionantes trechos de entrevistas da autora. No final, ao mesmo tempo respeita a decisão de Clarice e não deixa o telespectador ir para a cama triste com a história. Nem triste com a televisão brasileira."
(Ulisses Mattos, JORNAL DO BRASIL, Rio de Janeiro, 19/11/2003)

"Mas aí viria a ótima surpresa do CENA ABERTA, Clarice Lispector em carne e osso, ali na tela, em imagens de arquivo, a derreter a maquiagem como uma legítima Macabéa. Doía-se toda, como a personagem. Coisa que as nordestinas convidadas até ensaiaram, mas não deram conta. Não por falta de dores universais -Tolstói mora nas veias de todo mundo-, mas pelo excesso de metalinguagem e enxerimento da narradora Casé. Até na hora de atravessar na contramão, ouviu-se um 'chama o dublê' - gracinha que não ornou com os mistérios de Clarice. Distanciamento brechtiano fora de hora e lugar."
(Xico Sá, FOLHA DE SÃO PAULO, 19/11/2003)

"A nova empreitada de Regina Casé, junto com Guel Arraes e Jorge Furtado, é pura emoção. No primeiro episódio, a história escolhida foi "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector. E para viver o papel de Macabéa, personagem central da trama, Regina fez um laboratório com várias representantes da moça ingênua e simples nordestina. Esse, sem dúvida, o ponto alto do projeto. Moderno que só, o CENA ABERTA inova mostrando o processo - começo, meio e fim, passando pelos bastidores - da produção de um programa desse tipo. Na semana que vem tem mais."
(Joyce Pascovich, revista virtual GLAMURAMA, 19/11/2003)
http://www.glamurama.com.br

"Tava tudo indo muito bem (a linguagem representava a realidade e a realidade era representada pela linguagem), quando apareceram uns caras, Rimbaud, Mallarmé, Joyce e companhia, e as coisas começaram a desandar. Todo mundo vinha falando que a linguagem, a narração literária ou cinematográfica, tudo isso não passava de um monte de convenções. Nos anos 60, praticaram a desconstrução, Godard era mestre nisso. Linguagens e narrativas ficaram deprimidas, enquanto a documentação, o processo foram ganhando terreno. Vendo a situação, na calada da noite americana (1973), o making of (que não passava de simples documentação de uma obra cinematográfica) deu o golpe. E declarou: "Agora, a linguagem sou eu!". Eu sempre achei essa declaração muito exagerada, mas não se pode negar que o making of tenha alcançado o status de uma linguagem possível. Essa linguagem making of, amplamente usada e abusada no Brasil, chegou a uma obra-prima: A HORA DA ESTRELA de Jorge Furtado, Guel Arraes e Regina Casé. Esse cume (em termos de making of como linguagem) não foi ultrapassado e dificilmente o será."
(Jean-Claude Bernardet, blog, 11/02/2009)
http://jcbernardet.blog.uol.com.br/cinema/

18/11/2003